Terça-feira, Dezembro 8

No divã

Quando olho no espelho, vejo uma garota branca de cabelos escuros, nem muito alta, nem muito magra. Ela não tem roupas legais, não aguenta usar muitos adereços e a linha fina da boca encrespada não deixa muita coisa escapar. Todo o resto fica para a imaginação. Poucos sabem que ela se esquece de ligar, que ela tem motivos sim para ser desconfiada, calada, observadora. Ela guarda a frustração, a raiva e o resto das coisas ruins até transbordarem pelos poros e atingirem as pessoas ao redor - como fez hoje mais uma fez o cheirosinho Pinheiros, numa marginal de contaminação. Ela persegue o que é certo e o que é justo, acima de tudo - embora esses estejam numa fuga interminável, à anos-luz à frente, ou atrás. Ela sabe que o mundo não vai mudar, mas ficaria feliz se pudesse mudar alguma coisinha.E ela percebe cada vez mais que não é a gente que muda o mundo, é o mundo que muda a gente. Até a gente virar uma espécie de borboleta-mutante-geneticamente-resistente e começar a comer pelas beiradas, até começar a mudar outras pessoas que podem te ajudar na mudança de um pedacinho infinitesimal do mundo. Tanto esforço para tão pouco. Às vezes cansa só de pensar.

Apesar de tanto rigor, ela não é disciplinada, quem dera o fosse. Talvez assim buscasse de uma forma menos abrupta uma paz de espírito mais consistente. Talvez assim aquietasse alguns decibéis de uma mente que grita por saber que é muito melhor todo esse mar de mediocridade; talvez pudesse assim acalentar um coração tão duro quanto as capas dos livros que coleciona.

Ela finge que é forte, mas só para que ninguém a veja chorar. Ela melhorou um pouco, mas ainda continua enfrentando o medo com mais medo ainda e com um pitada de curiosidade para saber se já consegue chegar. Ela odeia ir na padaria sozinha, odeia atender o telefone e odeia fogos de artifício. Odeia ter o sangue doce e chamativo para as 35 espécies de mosquito que habitam permanentemente o seu quarto. Odeia parecer insossa, porque sabe que atrás da simplicidade se esconde um brilho que ainda é meio cor de rosa, apesar de tudo.
Vou dormir.

6 catchers:

Braz disse...

Tem pessimismo d+ pra um texto que fala de si mesma.

não é bom sinal.

consul.selles disse...

O mundo não gira em torno de vc.
Estique as pernas, não reclame e corra, Helo corra!

doiseles. disse...

Me identifiquei muito, parece comigo...
Adoro ler seu blog. :)

Amanda Cordeiro disse...

Helo, essas inseguranças são coisas perfeitamente normais. Quem sabe o que vem depois? Sö quem se dispôs a pagar para ver!

Desconfiança é bom mas para a gente se motivar a confirmar, não para nos fecharmos.

Chorar é bom, nos previne de cânceres, gastrites e cardiopatias. Quem não chora não é humano. Nós humanos somos de carne, sangue e emoção. Até o mais frio dos seres humanos
e assim.

Então, chore, desconfie, ouse e mude quando puder! Desde que você acredite que seja necessário e justo para seu progresso. Mas não se esqueça de que coisas ruins guardadas são como bombas atômicas, de verdade.

Um beijo

Espero que tenha feito algum sentido o que escrevi.

Fernando disse...

"Se eu for pensar muito na vida, morro cedo, amor. Meu peito é forte, e nele eu tenho acumulado tanta dor! Ar rugas fizeram residência no meu rosto. Não choro pra ninguém me ver sofrer de desgosto. Eu, que sempre soube esconder a minha mágoa. Nunca ninguém me viu com os olhos rasos d´água. Finjo-me alegre pra o meu pranto ninguém ver. Feliz daquele que sabe sofrer..."

Somos mais parecidos do que eu imaginava. Adoro você! Um beijo no meio da testa!

ANA♥UPBREAK disse...

adorei seu blog entra no meu! http://leticiaupbreak.blogspot.com