Pode crer que tem momentos que todo mundo se revela, assim sem querer. Seja quando descobre um carrinho de supermercado encostado no salão de festas, seja quando uma baratinha cai do céu diretamente para o seu bolso. Coitada da Jurema. Tem gente que pira no videoke, tem gente que pira no absinto, tem gente que pira ao descobrir que certo ser tem uma banda. E todos piram juntos cantando Stone Temple Pilots.
Todas as coisas somadas geram um saldo. E não é a dor de cabeça do dia seguinte, as marcas roxas que você descobre no corpo de coisas que não lembra que fez, o cabelo impregnado de cigarro ou o nenhum puto da carteira. O que fica é a humanidade que aflora sem máscaras, é a exposição e a vulnerabilidade alheias abraçadas sem preconceito. Ficam as filosofias de vida, as expectativas, os pequenos desabafos que depositam confiança e formam um elo invisível e intrigante que faz a gente querer descobrir o que é. Nunca foi tão bom um all star, shorts e camiseta sem pretensões de ser o que não sou. Nunca foi tão bom falar palavrão, beber cerveja, dar risada com humanos na vibe humana. Porque afinal todo mundo peida e arrota; todo mundo tem o pé feio; todo mundo sente sono, fome e medo; todo mundo só quer achar gente que entenda como se é. É a maior brisa, eu concordo, mas preciso admitir que são essas poucas "pessoas humanas" que me lembram o quanto é preciso delas para dar sentido real a vida. Por isso sou grata.
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